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ENTENDA AS OPERAÇÕES.

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Operar no mercado como um trader é um grande desafio. Para lucrar, deve-se criar uma estratégia geral, que envolve objetivo, táticas e controle de risco. Uma estratégia pode ser composta por uma série de táticas, sendo que cada tática pode ser gerada para um prazo operacional diferente. A idéia é entender a dinâmica de movimentação de preços para, através de compras e vendas, gerar operações lucrativas. Como o mercado possui um alto grau de incerteza, é impossível criar uma tática que gere resultados positivos em todas as operações. O importante é que o somatório geral de todas as operações geradas através de uma tática seja positivo.

Chamamos de tática um conjunto de instruções para operar numa dada situação de mercado. É preciso descrever, em detalhes, qual é a situação que gerará uma entrada na operação, onde ficará o stop dessa operação e em que momento ou de que modo será produzida a saída dessa operação. Também é importante definir qual será a parcela do capital operacional que será colocada em risco em cada operação.

Para identificar se uma tática é consistente, deve-se testá-la através da simulação dessa tática no movimento passado dos preços. Nesse teste, observa-se quantas vezes o mercado apresentou a situação geradora de trade descrita pela tática e qual teria sido o resultado financeiro ao longo de algum tempo. Na hora de fazer essa avaliação, é importante identificar qual é o percentual de acerto da tática, o ganho médio para os trades vencedores, o prejuízo médio para os trades perdedores e o número máximo de trades com prejuízo em sequência. O termo técnico para descrever essa avaliação é "Backtest".

As melhores táticas são aquelas que apresentam um acerto maior do que 50% e ganhos médios por trade maiores que os prejuízos médios, além de um número pequeno de trades consecutivos com prejuízo. Quanto mais operações tivermos na amostra, melhor será a consistência estatística da tática. Um número sugerido é, no mínimo, 30 trades para cada tática.

Existem softwares que permitem a avaliação automatizada de táticas, como o Metastock e o TradeStation. Quem conhece e sabe programar nessas ferramentas poderá enviar os relatórios gerados pelos softwares e também a programação utilizada para descrever a tática. Para aqueles que não dispõem desse conhecimento, estaremos oferecendo uma planilha onde as operações podem ser inseridas manualmente.

É importante lembrar que Backtests carregam sempre limitações em relação à experiência real de trade, por uma série de motivos: talvez no preço simulado de entrada e de saída não houvesse como entrar e pela limitação da quantidade ofertada de compra ou de venda naquele momento. Além disso, a própria ação de compra e venda pode modificar o padrão de movimentação do mercado. Em menor ou maior nível, qualquer tática de trade é auto-destrutiva, principalmente se for levada a cabo com valores maiores e em mercados de menor liquidez. Por esse motivo, toda tática deve ser otimizada de tempos em tempos.

Um outro desafio é deixar a tática totalmente objetiva. É muito difícil padronizar uma situação de mercado em todos os detalhes, pois sempre existe algum grau de subjetividade numa análise e na decisão de entrar na operação. Mesmo assim, no Desafio LS, estaremos favorecendo as táticas com o maior grau de objetividade.

Dividimos as táticas em três categorias: Day-trade, Swing-trade e Position-trade

Definimos Swing-trade como uma operação que tem duração de 2 a 10 dias, em média. Essas operações, usualmente, têm como base de análise o gráfico diário, para aproveitar o movimento que o mercado faz em poucos dias, com amplitudes médias, que vão de 5 a 20%.

As operações de Day-trade são aquelas nas quais a entrada e a saída se dão durante um dia de pregão. As táticas dessa periodicidade são produzidas através da observação dos padrões nos gráficos intra-day, onde cada barra demonstra alguns minutos de negociação. As amplitudes médias dos movimentos operados vão de 0.5% a 5%.

Já as operações de Position-trade têm como objetivo aproveitar movimentos mais longos e amplos, com operações de 2 a 10 semanas e movimentos com mais de 20% de amplitude. Usualmente, utiliza-se o gráfico semanal para desenvolver táticas nessa periodicidade.

Dando o primeiro passo

Para desenvolver qualquer tática é preciso, primeiro, entender a dinâmica de movimentação dos preços. A nossa ferramenta principal é a Análise Técnica. Através dela, é possível entender que os preços se movimentam em altas e baixas que formam topos e fundos. Esses topos e fundos definem as tendências e zonas de suporte e resistência. As barras nos gráficos demonstram a luta entre compradores e vendedores e apontam, também, quem está mais forte em cada período. O volume também é uma ferramenta para medir a força relativa entre esses grupos. Outros indicadores, como as médias móveis, também podem auxiliar na árdua tarefa de entender a situação do mercado.

Através da observação dessa movimentação, podemos identificar certos padrões de comportamento que se repetem. A partir desse ponto é possível definir uma tática para lucrar com o padrão identificado.

Por exemplo, observei que sempre que o mercado se afasta muito da média móvel de 21 períodos (MM21), ele tende a fazer um movimento de correção em direção a essa média. Só que eu precisava definir uma situação exata para entrar num trade com uma boa chance de acerto. Para isso, utilizei, além da distância dos preços até a MM21, as Bandas de Bollinger e os candles de reversão. O afastamento da MM21 indica que o mercado está fora do equilíbrio e a formação de um candle de reversão, fora das bandas, indica que existe um sinal demonstrando que o mercado pode fazer um movimento para re-estabelecer esse equilíbrio.

Depois de identificar essa situação, para poder explorá-la, eu preciso definir os pontos exatos de entrada, de stop e de saída da operação. Esse é um processo de tentativa e erro para avaliar os melhores pontos. Quanto maior o espaço até o stop, tenho uma chance maior de sair da operação com algum lucro, mas um prejuízo maior quando as coisas derem errado. É preciso buscar um ponto de equilíbrio entre esses dois extremos. Depois de várias combinações, identifiquei que o melhor ponto de entrada fica nos últimos 30 minutos de pregão da barra que está indicando a reversão, com stop 3 centavos abaixo dessa mínima. Para a saída, defini o seguinte: assim que o mercado gerar 3% de ganho a partir do ponto de entrada, encerro 50% da posição. A partir desse ponto coloco o stop do restante no ponto de entrada. A partir da segunda barra, caso a mínima esteja acima do ponto de entrada inicial, coloco o stop 3 centavos abaixo dessa mínima e farei o mesmo para cada barra subsequente. Chamei essa tática de Setup Contra a tendência. Nos testes realizados em papéis de maior liquidez, ela gerou 73% de acerto. Em cada operação, arrisco no máximo 1% do meu capital entre o ponto de entrada e o stop.

Resumindo, o primeiro passo é identificar um padrão de movimentação que pode ser explorado. Depois, testar diferentes parâmetros de entrada, saída, stop e controle de risco, num trabalho de tentativa e erro.

Agora que você sabe um pouco mais sobre como criar uma tática, teste as suas idéias e envie a sua.

Desafio LS